Outubro 16, 2009

Que diabos é isto?

Por um ano, a autora do blog SextaSessão teve um post semanal no Em Busca do Phino. Foi divertido, mas os temas se esgotaram.

Tudo o que foi escrito por SS no EBDP está reunido neste blog - arquivão. O wordpress importou tudinho, inclusive os comentários feitos até o dia 16/10/2009 (data do pedido de “demissão”).

A HQ abaixo, publicada dividida em 4 “episódios”, foi o trabalho final no Phino. Para ver completa, é só clicar na imagem.

HQwW

Outubro 16, 2009

Faca cega – o final

Por SextaSessão*

Tive um ano atípico. Começou bem antes de janeiro, durou mais de 12 meses e acabou oficialmente em 1º de outubro. Em julho, expliquei que estava perdendo a vontade de escrever. Perdi. Testemunhas garantem (e não foi sob ameaça) que ando menos falante. É um bom sintoma. Quero um “ano novo” de silêncio, de imagens, de expressões e coisas que não necessitam ser ditas.

Hoje, termino a minha primeira HQ – sem diálogos, como bem perceberam. Acaba também a participação neste blog. Doze meses de uma relação constante, comprometida, dedicada e gratificante. O Rafa não recebeu aviso prévio e vai ficar chateado, mas ele sabe que prefiro catar as roupas no escuro e fugir no meio da noite (não por experiência própria, que fique claro).

Ele também sabe que o amo. Sabe bem. E nunca precisei dizer.

A HQ completa está aqui (aos menos treinados: quando ela abrir e reduzir, usa a lupinha para ver no tamanho original).

*SextaSessão consegue ter apenas uma obsessão por vez. Vai continuar diariamente no EBDP como leitora, e em seu blog, fazendo alguma coisa que ainda não decidiu.

Outubro 9, 2009

Faca cega – parte 3 (tá quase no fim)

Por SextaSessão*

Não vou ao cinema assistir filmes de 3 horas, a menos que a Isabela Boscov garanta que a trama exige mesmo todos aqueles minutos. É assim. Algumas coisas precisam do tempo certo para terminar a bom termo. Mesmo que levem mais do que se esperava, não convém apressar, sob pena de deixar o assunto mal acabado. Como disse um amigo, “pena que a vida não tem tecla foward (ou FF)”.

O plano inicial da HQ era ter 3 parte. Não foi possível. Para quem não viu os anteriores, aqui estão as partes 1 e 2 juntas. O 3º episódio separada, aqui.

Outubro 2, 2009

Faca cega – parte 2

vestidoA*Por SextaSessão

Quando a minha prima marcou o casamento, decidi bordar o vestido da festa. Era preto. E me municiei de miçangas douradas e cobre, foscas. Sou habilidosa para atividades de prenda doméstica, então a tarefa não deiva ser difícil. Mas fiz um projeto megalomaníaco de 3 flores (feitas de miçangas!) e bordei até enlouquecer. Levei um mês, trabalhando em todos os horários vagos.
Faltando uma semana para o convescote, dei xilique, joguei o vestido no sofá ameacei pegar a tesoura e picotear tudo. Minha irmã me impediu.
Isso tudo é pra explicar que nunca, nem no meu mais horrendo pesadelo, imaginei o quanto esses desenhos de perseguição dariam trabalho. A segunda parte da HQ pode ser vista aqui.

Setembro 25, 2009

Faca cega

Por SextaSessão*

Phophos, lamento, mas enchi o saco de escrever. De agora em diante, decretei que vou destinar meu tempo para fazer o que quero. Tá aqui a primeira parte da HQ.

*SextaSessão não tem mais nada a escrever, mas tem algumas coisinhas para mostrar. Aparece aqui nas sextas-feiras e em seu blog, nos outros dias.

Setembro 18, 2009

Mudanças na escala

Esta semana, SextaSessão não malhou, não desenhou, não se depilou, não namorou, não foi à terapia, não comeu salada no almoço, não usou protetor solar, não gargalhou na redação, não fez ginástica laboral, não ganhou chocolate no meio da tarde e não brigou com nenhum repórter. Mas trabalhou feito camelo e merecia socializar na noite de quinta-feira. Como L’Andreis deixou seu post para publicar hoje, conseguiu a desculpa que precisava para exigir folga do EBDP. Volta aqui nas próximas sextas-feiras e, nos outros dias, em seu blog.

Setembro 11, 2009

Desabafo: abomino Caminho das Índias

Heinze, corazón, me salva desses indianos

Heinze, corazón, me salva desses indianos

Por SextaSessão*

A última novela que acompanhei foi “O dono do mundo”. Não sei o ano, mas lembro dos atores e da trama. Desconheço o motivo porque parei. Não foi por ideologia, apenas acabei desenvolvendo outros interesses noturnos incompatíveis com o horário.

Depois veio a Net e tive argumentos para esquecer da existência da teledramaturgia brasileira: ER, The X-Files, Millenium, A Sete Palmos, Simpsons, Lei e Ordem, Sex and the City, CSI, Monk, Without a trace, As if, Supernatural, House, Desperate Housewives, Weeds, Lost, Heroes, True blood, In treatment.

Peguei gosto por cenários verossímeis, edições ágeis, movimentos de câmera originais, roteiros inteligentes e atores talentosos e bonitos que trabalham com textos que não foram escritos por alguém com acentuado distúrbio cognitivo. Qualidades que novela brasileira não tem.

Esse de vermelho é do Caminho das Índias, bate nele, bate

Esse de vermelho é do Caminho das Índias, bate nele, bate

Daí vocês pensam: “Arrá, se tu não assistes, como sabes que é ruim?” É simples: eu vejo Caminho das Índias. À força. Três vezes por semana.

A academia onde treino dispõe de três televisores gigantes na sala de musculação. Antes eram distribuídos assim: um sintonizado em canal de seriado, outro na GloboNews e o terceiro em um canal de esportes. Harmonioso, democrático, sensato.

Pois tudo acabou por causa dessa coisa indiana. A única TV resgatada da lobotomia é a que fica em frente a halteres e barras livres, após os marombados se amotinarem e exigirem o futebol de volta.

Yes! Eu não vou para a Copa, mas a novela vai acabar!

Yes! Eu não vou para a Copa, mas a novela vai acabar!

Reclamei para o gerente, mas ele me pediu paciência e explicou que sua vida correria risco se tirasse a novelinha de mais uma TV. Eu tento, mas não consigo desviar os olhos sempre, porque os aparelhos de musculação são todos voltados para o mesmo lado.

Nesses meses, por mais que eu me distraisse observando a anatomia dos passantes ou as eliminatórias da Copa do Mundo, o que vi da novela foi o suficiente para ter idéia da trama. É, phophas…. enquanto meu quadríceps endurece, meu cérebro derrete.

Quarta, por exemplo, de tanto desviar o olhar, acabei assistindo boa parte de Argentina x Chile. Apesar de não gostar nadinha de futebol, foi uma experiência gratificante limpar os olhos com uns argentinos bonitos, suados, cabeludos e (ninguém é perfeito) treinados pelo Maradona.

A propósito: Heinze, miliga.

sextasessao_avatar*SextaSessão vai voltar à natação ou se mudar para Buenos Aires se não abolirem o monopólio da novela na academia. Soca a mesa aqui nas sextas-feiras, e, nos outros dias, simula calma em seu blog.

Setembro 4, 2009

Eu preferia a história da cegonha

Repara a penúltima linha de quadros. Medo das mãozinhas abanando

Repara a penúltima linha de quadros. Medo das mãozinhas abanando

Por SextaSessão*

Recebi um email da minha mãe com as fotos desse assustador livro infantil que ensina às criancinha alemãs como nascem os bebês. Foi imediato recordar de quando a dita me explicou, auxiliada por um livrinho bonito, como são feitos e paridos os filhos.

A parte do intercurso sexual não me importou ante ao pavor de descobrir por onde brotavam os pequeruchos. Pior, foi a primeira vez que soube da existência de um terceiro orifício na área de serviço além do mictório e do cagório.

Você, mulher, hoje acostumada a acomodar com conforto instrumentos masculinos, talvez tenha esquecido que o buraquinho era ignorado na infância. Saber que ele existia e, mais, era porta de bebês foi chocante e decisivo: resolvi que nunca sairia qualquer coisa de lá.

O dilema de explicar o assunto é que a criança não precisa da história completa. Vai dizer que tem que explicar tudinho porque sexo leva à gravidez, e gravidez leva a parto? Anticoncepcionais, fertilização artificial, barriga de aluguel e pares gays com filhos gerados por um deles dão pistas que os livros do futuro precisarão de um longo apêndice.

No meu caso, a curiosidade não foi nem sexual nem procriativa, apenas semântica. Tinha ouvido adolescentes, no bar do colégio, dizerem que o fulano tinha comido a beltrana. Tão logo irrompi no lar, lasquei para a minha mãe, que tomava chá com uma tia solteirona e carola, “o que quer dizer uma pessoa comer outra?”.

Depois de ajudar a tia a desengasgar o biscoito, a mãe me levou pro quarto e leu o livrinho ao meu lado. Pouco me importava que “o papai e a mamãe se amam muito-muito e querem ficar bem-bem juntinho, então namoram sem roupa e o papai bota a sementinha na barriga da mamãe”. A dúvida era só o significado alternativo do verbo “comer”.

Custava me explicar que era namorar escondido fazendo carinho íntimo em uma pessoa de quem se gosta? Se a questão era semântica, porque fazer revelações anatômicas horrorizantes? Vai ver que a mãe teve medo que, no dia seguinte, eu perguntasse ao coleguinha que eu vivia dizendo que era bonito se ele queria me comer.

sextasessao_avatar*SextaSessão teve um siso extraído e está chapada de Tylex. Escreve aqui nas sextas-feiras, quase sempre sóbria. Nos outros dias, sente saudades da cegonha em seu blog.

Agosto 28, 2009

Não fornicarás de meias (e outros vetos na cópula)

Ah, se fosse fácil assim

Ah, se fosse fácil assim

Por SextaSessão*

Um portal publicou uma matéria com dez mandamentos para quem não quer “fazer feio na hora H” na primeira transa com uma mulher. Foi escrito por um homem, o que dá certa credibilidade, presumo. Só que homem hétero não lê dica de sexo. Lê? Um dos meus amigos ogros disse que não se preocupa em ser bom de cama, a menos que queira transar com a garota de novo. Minha binária mente cafundoense não entendeu. Se a menina pensar da mesma forma, ambos serão relapsos e egoístas e nenhum vai querer jamais repetir a experiência, vai?

Certa feita, amiga bem rodada admitiu ter perdido as contas de quantos homens já testou e classificou 50% de suas experiências como muito boas. Outra do grupo, engenheira, questionou: “50% dos homens serem eficientes é um índice arbitrariamente superestimado” (juro, ela fala mesmo assim). Ao que foi respondida: “metade foram transas boas porque EU sou ótima. Só 20% foi por mérito do cara”.

É fato que a menção de ontem de L’Andreis é recorrente em conversas femininas: a dificuldade de encontrar um “bom de cama”.  Só que, para complicar, esse conceito é impreciso e flexível. O que uma considera inconcebível pode ser o sonho de consumo sexual de outra. Não dispomos de manual para o usuário, e essas listas de “faça isso, não faça aquilo” não costumam ajudar. Mas o artigo do portal começava com um petisco irresistível: “Jamais usarás meia na cópula”. Se houver alguma unanimidade entre nós, é essa. Tá muito frio? Então deixa a blusa, phopho. Meia, nem pensar.

Faz uns anos, numa cafeteria, ouvi o seguinte diálogo de duas garotas da mesa ao lado:

— Tu namorou o Fulano no cursinho, néam? Amiga, ele era triiigostoso.
— Que nada, guria, ele transava de meia.
— Ai, amiga, de meia? … E também ligava para mãe pra dizer que ia chegar tarde?

Dos outros pecados citados no portal, o número 7,  “Não pronunciarás nomes erroneamente”, é motivo para a vítima levantar, catar as roupas e ir embora. Ao sair, sugiro desferir algum insulto, como “Só vou me chamar Juju no dia que isso daí puder ser chamado de p*”. Quer ser uma mulher inesquecível? Taí a chance.

Well, phophas, ao contrário do que o título sugere, não listarei as práticas menos phinas de um primeiro intercurso. Qualquer lista, seria a minha lista – acreditem, vocês não vão querer saber. Prefiro um post participativo: votem na enquete e contribuam com outras sugestões de pecados imperdoáveis. EBDP também está aqui para educar.

sextasessao_avatar*SextaSessão colou a idéia deste texto . Escreve aqui nas sextas-feiras e, nos outros dias, em seu blog.

Agosto 21, 2009

Paixão é uma chatice

Ele não te quer. Entendeu ou preciso desenhar?

Ele não te quer. Entendeu ou preciso desenhar?

(ou: Como deixar de gostar de alguém)

Por SextaSessão*

Este mês vem sendo um pé no saco. Motivo: a quantidade de amigos aporrinhando por causa de paixões não correspondidas. Não suporto mais aquela autocomiseração, aquele “ai meu deus”, “me ajuda”, “o que eu faço?”, “ele não respondeu”, “eu não consigo esquecer”. Hello-ou, não avisaram que agosto é o mês do cachorro louco? De novo: cachorro louco. Ninguém falou em mês do burro descornado. Percebeu a diferença dos animais?

Rejeitadinho crônico fica em casa enrolado no edredom, pensando em quem não lhe quer, ao invés de sair para dar o coração ou melhor parte da anatomia. Com algumas áreas do corpo esfoladas de tanta atividade, duvido que sobre tempo pra sentir o cotovelo doendo. Vambora, phinos, mais tuf-tuf** e menos mimimi.

“Pensa que é fácil assim? Tu nunca foste rejeitada, SS?” É claro que fui. Das maneiras mais cruéis. Sou de Cafundó, lembra? Menino cafundoense não só te ignora. Ele passa por cima de ti e leva a tua dor como troféu.

Mas hoje noto que aqueles garotos me fizeram uma bondade. Não que eu queira falar mal do estilo de vida dos outros, não. Mas, sabecumé, se uma das minhas paixões tivesse correspondido e o desvario virasse amor, esta hora, eu estaria:
morando em Cafundó;
passando férias, quando muito, em Torres;
fritando bolinhos de chuva;
comendo carne de ovelha;
cheia de filhos;
com um marido que vai trabalhar de bombachas e botas de cano alto e desfila a cavalo na parada de 20 de setembro!!!!!

Com licença, vou ali gargalhar jogando a cabeça pra trás e já volto.

Uahahahahahahaha

Pronto. Continuando… “Ai, SS, mas eu não consigo deixar de gostar dele…” A tia te explica: paixão é doença. Pesquisa no Google, vai. Como regra, o quadro evolui para o óbito e, raras vezes, para o amor. Se o sujeito não te quer, adivinha qual é tua opção, phophura? Eutanásia, bingo!

O problema da paixão crônica é a dificuldade de o doente ver o quadro real. Ele crê em afeto quando o muso age com educação. Supõem carinho quando existe cordialidade. Vê ternura onde há constrangimento. Nega-se a ouvir o que o silêncio está gritando. E enxerga indecisão (portanto, esperança) quando o outro é apenas covarde demais para dizer “não”.

Se o apaixonado crônico é um míope emocional, então a cura é ver o alvo como ele de fato é. Eliminadas a ilusão e a esperança, o resto é como cálculo renal expelido pela urina. Dói pra (e no) caralho, mas vai embora.

Para ler sobre mulheres cafundoenses clica aqui.
Para saber a opinião do Rafa sobre amor x paixão, aqui.

**Onomatopeia-metafórica para ato sexual empregada por colega neologista.

sextasessao_avatar*SextaSessão fechou o consultório sentimental por tempo indeterminado. Escreve e rabisca aqui nas sextas e, nos outros dias, em seu blog.

Agosto 14, 2009

O que te traz aqui?

Agora? Bem

Agora? Bem


Por SextaSessão*

- O que te fez me procurar era decidir sobre isso. Se está resolvido, então, a pergunta é: o que ainda te traz aqui?
- Acho que sempre esteve resolvido. Eu vim aqui porque estava sofrendo muito. De uma forma como nunca tinha sofrido antes. Eu só queria que parasse.
- E agora?
- Agora…….. eu não sofro mais.

sextasessao_avatar*SextaSessão desenha e escreve aqui, semanalmente, logo depois de conversar com Lizete. Nos outros dias, reside em seu blog.

Agosto 7, 2009

Fixação. Obsessão.

Por SextaSessão*

Tenho uma tendência grave a desenvolver obsessões.

Umas dão forte e acabam rápido; algumas, com o tempo, se transformam em sentimentos saudáveis e moderados; outras, mais raras, me deixam fora de mim, insana, desequilibrada, tresloucada. A ponto de pensar no assunto enquanto trabalho, tomo banho, malho, almoço, bebo, durmo, vou ao banheiro, converso, escrevo.

A fixação do momento é do tipo gravíssimo. Chama-se MEU AMADO TABLET.

Depois de um início de relação conturbada (leia aqui), começamos a nos entender e não quero passar sequer mais um minuto longe dele.
Então, hoje não tem post. Só tem, abaixo, a prova do que andei fazendo:

 

Rafa, Em Busca do Phino

O Outro Lado, Em Busca do Phino

L'Andreis, Em Busca do Phino

Dany Darko, Em Busca do Phino

SextaSessão, Em Busca do Phino

*SextaSessão quer largar o jornalismo e passar o resto da vida desenhando. Encontrará um jeito de sobreviver de bicos ou alguém para sustentá-la. Interessados, tratar aqui, nas sextas-feiras, ou no seu blog, nos outros dias da semana.

Julho 31, 2009

Perversão para inglês ver

Fotografa eu, moço

Fotografa eu, moço

Por SextaSessão*

O nome da festa era Perversion e eu disse “vamunessa, gentí”. Bastou dar o alerta para que grupo que antes tinha prometido me acompanhar se evadisse. Adultos, vividos, abertos, versáteis. Subitamente perderam a coragem de ir ao convescote por conta do nome.

Então, na tarde que antecedia a dita, me vi sozinha, pronta pra desistir. Até que uma amiga contou ter conhecido um fotógrafo inglês no carnaval de Nothing Hill, que poderia topar.

Encontrei o sujeito na estação de metrô Vauxhall e seguimos pra bocada. Tentando não me diferenciar muito dos frequentadores, me vesti de preto e exagerei na maquiagem dos olhos – jurando que parecia uma mulher malvada. O fotógrafo, um nativo que nunca tinha ido a festa fetichista, parecia um pregador mórmon. Depois do staff e do “elenco”, fomos os primeiros a entrar.

Ele começou fotografando as dançarinas dos postes – que não tiravam as roupas – e eu encostei ao lado de uma das gaiolas, observando a fauna e batendo um papo com as engaioladas.

so sexy, so sweaty

so sexy, so sweaty

- Não agüento mais este espartilho.
- O que é isso, látex?
- Não sei, é sintético. Estou suando.
- Então tira.
- Tá louca? Com esse bando de tarado aqui?
- Tem razão. Não tira.

Houve um espetáculo com duas garotas. Uma fazia o tipo Mônica-Belucci-tuberculosa e estava “fantasiada” de lobo (calcinha e sutiã de pele). A outra, uma ruiva rechonchuda, era chapeuzinho vermelho. A encenação simulava um estupro da segunda pela primeira com um pênis de vidro. Bem ensaiadinho. Tinha até sangue artificial.

Chapeuzinho aos pés da loba má

Chapeuzinho sucumbe à fúria da loba má

Em outra sala, uma ”performer” de maiô preto foi pendurada com pernas abertas. Marmanjada ia lá, metia a cara e lambia a saliva do sujeito que tinha babado antes. Dignificante. O único homem bonito da noite participou entusiasmado da atividade, antes de abocanhar – e ser rejeitado com um empurrãozinho – a nuca de uma gorda enorme vestida de anáguas brancas.

Tô bem sim, só não sinto mais as pernas

Tô bem sim, só não sinto mais as pernas

Ao palco, subiu uma menina com piercings cravados no colo e na testa, lentes de contato brancas e cabeça raspada, exceto pela duas tranças longas saindo do topo do côco. Fez uma dança que, imagino, era para ser sexy, mas me botou medo, pela música, pelos adereços que brilhavam no escuro e pelo remelexo.

Único ato S&M foi um cara de chapéu de caubói bater com um chicotinho de tecido nos seios da acompanhante. Uma menina com óculos e jeito de estudante de sociologia. Bateu fraco. Ela riu.

Bate que eu goshto

Bate que eu goshto

Ao sair, me despedi da hostess, empoleirada em um inacreditável par de botas de salto agulha e espremida num vestido de látex simulando um uniforme militar:

- Já vão?
- Vamos. A gente só veio tirar umas fotos e conhecer.
- Sorte a sua. Eu, infelizmente, ainda tenho que ficar muitas horas.

Sem metrô naquele horário, tinha que voltar de ônibus. A minha linha passava do outro lado da avenida que a condução do Chris. Ele, como bom inglês, não fazia qualquer gesto de gentileza para uma mulher. Nos despedimos e segui sozinha.

À minha parada de ônibus, chegaram dois garotos. Apesar do vestuário full black e expressões de malvados, pareciam babacas inofensivos. Ruivo, rosado e de calças de couro pretas, o mais velho começou a conversa.

- O que uma jovem faz sozinha em Vauxhall a esta hora?
- Saí de uma festa. Vou pra casa.
- Você aproveitou?
- Não muito.
- Onde foi a festa?
- No clube Supreme.
- Como não vi você? A gente também estava lá! Fomos para conhecer. Vamos tocar na próxima Perversion.
- A é? Vocês tem uma banda?
- Temos. Die pretty.
- Legal.
- Prazer em conhecer. Eu sou Regan. Esse é o Serguey. 
- Prazer em conhecer. Sou Sexta. 
- De onde você é? Eu sou da Nova Zelândia, e ele é russo.
- Brasil.
- Sei falar uma frase em espanhol. Quer ouvir? “Quieres hacer el amor conmigo esta noche?”
- Legal. Mas não entendo. No Brasil a gente fala português.

final da historia

*SextaSessão não bate nem apanha, mas encontrou as fotos do Chris no pen drive e lembrou do evento. Chicoteia o bom-senso aqui nas sextas-feiras e espanca a prudência nos outros dias em seu blog.

Julho 24, 2009

Se precisar, eu imploro: vai embora

Faço promessas para te fazer partir

Sem conforto, sem paz, sem certezas

Por SextaSessão*

Olha, não leve a mal, mas preciso perguntar: não está na tua hora? Veja quanto tempo já passou… dias incontáveis, semanas longas. Por que continuas aqui? Por que te levo comigo?

Achei que seria breve. “Vai passar, vai passar, vai passar…” Intenso e rápido. Era o previsto, certo? Errado.

Quando vi que o tempo era elástico nas tuas mãos, experimentei me esconder. Fechei portas, troquei fechadura, reforcei isolamento. Mas tu sempre apareces.

Venho tentando aprender a conviver com a tua presença. Permanente. Diária. Indisfarçável. Estou sobrevivendo, por certo, mas sem conforto, sem paz, sem certezas.

Quando acordo de manhã, a primeira coisa que sinto é que estás comigo. É culpa tua se fico mais tempo na cama. E me atraso.

Então, não te atrases também.

Acabaram-se meus recursos para te afastar. Não estava preparada. E quem está?

Houve alguns bons momentos, é claro. Daqueles que só poderiam existir contigo. Foste bem-vindo, foste importante. Mas teu lugar não é aqui, sabemos bem.

Parte, segue outro rumo, vai para onde aponta a bússula.

Por aqui (não se ofenda), teu tempo acabou. Se precisar, imploro: vai embora.

*SextaSesão acha que este inverno está durando muito mais do que deveria. Treme aqui nas sextas-feiras e bate queixo nos outros dias em seu blog.

Julho 17, 2009

Quando estou triste, escrevo melhor

Esse seu olhar, quando encontra o meu..

Esse seu olhar, quando encontra o meu.....

Por SextaSessão*

Fiz um balanço dos meus últimos textos, e a conclusão foi a que eu já desconfiava: quando estou triste ou irritada, o resultado fica melhor.

Como tenho passado bem, obrigada, não há muito sobre o que escrever. Então, os posts custam a sair, consomem tempo, energia e não me satisfazem. E só admito gastar tempo e energia com o que dá dinheiro ou prazer ou emagrece.

Esta semana, me concedi folga. Transferi o tempo que uso para refletir sobre “o que escrever” para assistir a cenas do The X-Files no Youtube.

Claro, sem angústia emperrando a evacuação criativa, deu tempo para desenhar e me lambuzar até os pulsos com nanquim.

Beija! Beija! Beija! Beija!

Beija! Beija! Beija! Beija!

Grata pela compreensão,
SS

 All Things, off da cena inicial

*SextaSessão é eXcer shipper e já declarou amor por Arquivos X , Gillian Anderson, Moby e olhos azuis aqui. Quando o texto não atrapalha, desenha no EBDP nas sextas-feiras. Nos outros dias, reside em seu blog.